Bror Hail
Bror Chail e Em Duas Palavras……

Do livro “Bror Chail- História do Movimento e do Kibutz Brasileiros escrito por Sigue Friesel - 1956
Bror Chail
Vem no comêço . No outono, quando as noites esfriam, e se inicia de novo o amanho da terra. Dia e noite ouvirás o ronco dos tratores, e a larga planície do vale tomará a côr escura da terra arada. Teus olhos seguirão ao longo as colinas que se estendem para o oriente, até as elevações do paíz de Judá. E um pouco ao norte divisarás , nas tardes claras de outono, os montes azulados de Jerusalém.

Virão, depois, as chuvas de inverno; a natureza, exposta so vento e à chuva estender-se-á molhada, nua e triste. E os homens escutarão à noite, encolhidos e pensativos, o uivo longo, melancólico, das tempestades.

Virá, depois a primavera, a primavera maravilhosa destas terras. Despertarão os homens, erguer-se-ão os campos de planície em verdes frutos. Acompanharás os camponeses que lavraram êste solo, ao descerem na primavera para os campos, dansar na Festa dos Primeiros Frutos.

Acompanhá-los-ás de novo, quando no verão colherem a messe rica das planícies, e junto a êles cantarás na Festa da Colheita.

Mais um pouco, e novamente se iniciará o ciclo. De novo sulcarão arados a planície, preparando a terra para as chuvas.

Perguntarás , por fim: Alguma vez foi diferente? Não semeiam éstes camponeses as terras do vale desde que é homem o homem? E os montes de Judá, não se erguem êles, lá ao longe, já do príncipio dos tempos? Não constroi o povo suas casas, alí no alto da colina, desde remotos dias perdidos da lembrança?

Ainda não, amigo, ainda não. Observa, ainda não se entrosam bem as casas na paisagem, a ponto de brotarem dela. Há, todavia, um tom éxotico no som dos cantos da colheita, e os corpos, nas dansas da Festa das Primícias, são pesados ainda ao ritmo novo da terra. Ainda faltam algumas chuvas para que em barro se desfaçam as ruínas, ali, na curva da estrada , acolá, naquela encosta; ruínas, casas do passado, que hoje, aos poucos, a terra engole.Quando, no anoitecer do outono, parte o trator para as terras da planície, notarás que dois são os que nele subiram, um de arma nas costas, mas outro de arma nas mãos. E na noite o farrol da torre velará, solícito, pelo companheiro que dorme e pelo companheiro que trabalha.

Mas mais uma, mais duas gerações, e certamente que se perguntará também: Alguma vez foi diferente? Houve algum lapso desde tempo que Shimon bar Giora, o defensor de Jerusalém contra as legões de Roma, recrutava em Bror Chail, seus lutadores, até o dia que o camponêus hebreu tornou a amanhar sua terra? Desde a época de Rabi Iochanan ben Zacai,o grande fariseu, quando na noite brilhavam luzes em Bror Chail, anunciando aos vales e aos montes a circunsisão de um filho, até os dias que as mesmas luzes, nas mesmas noites, tornaram a brilhar? Alguma vez foi diferente? Falar-se-á em livros de um interlúdio, mas da memória dêste povo será apagado o lapso, como um trecho em branco, algo que nunca existiu.

Ano após ano, o símbolo maior da paz - o arado - sulcará o vale generoso em gordas messes. E suceder-se-á à primavera o outono, à semeadura a seara, às dansas dos Primeiros Frutos os cantares da Colheita.Como sempre foi, luzes nas noites de Bror Chail farão saber vales e montes que é nascido um filho. Como sempre foi erguer-se-ão lá longe, no nascente, os montes de Hebron, os cimos azulados de Jerusalém. E como sempre foi, assim sempre será.

Em Duas Palavras……
O que esta publicação não pretende ser, Leitor, eis o que queremos dizer-lhe em duas palavras. Ela não pretende ser uma lenda de heróis, como infelizmente nós, os homens do kibutz, somos constantemente apresentados pela má propaganda que ao nosso redor se faz. Não. Esta é uma história de homens, homens como você e quaisquer outros, com suas qualidades e seus defeitos, seus erros e seus acertos, sempre homens “ Ah, mas vocês são idealistas!” – Olhe, não é verdade, não somos idealistas . Pelo menos , não o somos neste sentido de herói de filme tecnicolor, sentímo-nos mesmo bem constrangidos em semelhante papel. Nosso idealismo é um idealismo muito humano – somos idealistas como você o é.

E se o conveceram que passamos as 24 horas do dia tocando tambores ,proclamando grandes frases e aspirações, desconvença-se, não passamos; passamos o dia trabalhando, exatamente como você, e tocamos tambores exatamente o número de vezes por ano que você os toca. E olhe, sejamos realistas, nesta história de idealismo, há coisas que fazem desconfiar: temos a impressão de que êste tem sido o rótulo fácil que nos colocam como medida higiênica de isolamento. Nos venenos não se escreve “Cuidado- Veneno-Não toque”? Pois no chalutz, no homen do kibutz, coloca-se uma tabuleta semelhante: “Ah, é um idealista! Deixou tudo e foi para um kibutz! É uma coisa rara! Há tão poucos , infelizmente , capazes de ser assim! Eu, por exemplo nao sou. Mas admiro êles muito, admiro mesmo….” Leitor isto é hipocrísia. O que foi o "tudo" que abandonamos? Pensa você que ficamos uma grama menos ambiciosos? Ao contrário, ficamos dez vezes mais do que éramos. Se abandonamos uma vida para seguir outra, foi exatamente porque éramos ambiciosos.

Tôda nossa aspiração , o kibutz, ela é desmedidamente ambiciosa – queremos alcancar mundos e céus no terreno econômico, no social, no educativo, em todo terreno,enfim, que alimente ambições o homem. Colocamo-lhes nas mãos nosso livreto. Nem o desejo de fazer auto biografia – nos impeliu a escrevê-lo - longe ainda o tempo de auto biografia - nem é um trabalho de propaganda, está-se um tanto desiludido já da propaganda, em nossos dias. Quisemos simplesmente bosquejar a história de um grupo de jovens que um dia resolveu seguir um caminho diferente, que lhes parecia mais certo e mais rico. Isto já faz alguns anos, e muitas das aspirações destes jovens passaram já à categoria de experiências.........
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